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A colombiana Yolanda Reyes tem um jeito poético de definir sua estratégia de apresentação da leitura aos bebês (isso mesmo, bebês): ela diz que se trata de compor um triângulo amoroso entre a criança, o livro e o adulto.

“Tudo começa em um quarto iluminado por um abajur com alguém que nos conta uma história. Ou antes, com uma voz que nos embala quando ainda não dominamos as palavras. Marcam-nos com um nome, entre a infinidade de nomes, ao qual vamos dando uma cara, lentamente, e nos colocam sobrenomes, que atam o passado e o presente e o que deixaremos como legado no futuro”, disse a especialista em bebetecas (bibliotecas para bebês), durante a manhã desta quinta-feira (23), no 1º Seminário Internacional de Educação Integral, que aconteceu nos dias 22 e 23, em São Paulo.

Com essa comparação, Reyes chama a atenção para o significado que a leitura terá para a criança na primeira infância, período entre o nascimento e os seis anos — um significado que será construído pelo adulto, nas experiências de leitura proporcionadas por ele. A figura desse adulto pode estar representada pelos pais, avós, cuidadores e profissionais de educação da creche ou da pré-escola.

 

 

No mesmo painel do evento, a mesa “Leitura literária na Primeira Infância”, estava a especialista brasileira Beatriz Cardozo, que ampliou a discussão sobre o tema.

Cardozo fez uma breve análise sobre as condições da educação brasileira, enfocando os já divulgados atrasos dos alunos em relação ao que deveriam saber ao sair do ensino médio e citando os problemas da desigualdade.

“O primeiro lugar em que a desigualdade acontece é na aquisição da linguagem”, afirmou Cardozo. E “pensamento é linguagem e linguagem é pensamento”. O oferecimento da leitura por parte do adulto se torna crucial na luta contra a desigualdade na medida em que a aquisição da linguagem (ser capaz de compreender histórias e saber se expressar) é também aquisição da capacidade de pensar, argumentou.

Para que essa relação se construa de maneira saudável (e amorosa) como apontou Reyes, Cardozo destacou duas estratégias: promover práticas interativas (saber oferecer contos e histórias, mas também conseguir ouvir o que a criança entendeu e valorizar esse retorno) e compreender a oportunidade de leitura como uso e produção de linguagem (por isso, o adulto precisa estar atento ao que a criança comenta ou à reação dos pequenos ao que está sendo contado).

 

 

 

Fonte : Educação Uol

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