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Tribos Indígenas que habitavam

Segundo Câmara Cascudo, dois povos habitavam o nosso Estado, quando os europeus chegaram a esse território. Os Tupi, representados pelas tribos dos Potiguar, que ocupavam parte do litoral da Paraíba e todo o litoral do Rio Grande do Norte, principalmente o litoral que vai de Baía Formosa até Touros. Na parte mais interiorizada da nossa costa, chegando ao agreste, viviam os Guaraíra, os Paiguá e os Jundiá.

No interior, predominavam os Tapuio, também chamados de Cariri, divididos em tribos como os Panatis, Caicó, Peba, Tarairiú, que habitavam o Seridó. Da chapada do Apodi à serra de Patu, viviam os Janduís, Pataxó, Pajeú, Paiaku e Moxoró. Na região serrana, predominavam as tribos do Icó, Panatis e Pacajus.

Esses índios resistiram à invasão do seu território, dos seus rios, fl orestas e de toda sua paisagem de caça, pesca e de sobrevivência, ocupada pelos colonizadores de origem portuguesa. Essa luta é articulada pela Confederação dos Cariris, realizada em torno de 1670.

 

Os franceses no Rio Grande do Norte

 No início do século XVI, a unidade religiosa da Europa é rompida pela reforma protestante de Lutero. Isso aguça as guerras internas na Europa e justifica a cobiça de colônias pertencentes a Portugal e à Espanha por parte de países como a Inglaterra, a França e a Holanda. Os franceses chegam ao Norte e ao Nordeste e ameaçam o domínio português em todo esse vasto território, com a finalidade de contestar a posse portuguesa dessas terras. Para tanto, aliam-se aos índios, aqui no Rio Grande do Norte, e a aliança é feita com os Potiguar. A ocupação e o povoamento da Capitania do Rio Grande do Norte, a construção do forte e a fundação da cidade de Natal determinam um papel estratégico para os portugueses, que fazem da cidade e do Forte um ponto de apoio territorial e militar para as tropas e embarcações que saíam daqui para a conquista do Ceará e do Maranhão, onde a presença dos franceses era uma ameaça constante aos interesses de Portugal. O domínio português se consolida com a conquista e a expulsão dos franceses do Maranhão, mas volta a ser ameaçado por outra potência europeia, a Holanda, com os seus interesses mercantilistas, já que, naquele momento, dominava o comércio de distribuição de mercadorias no mundo europeu, e entre essas mercadorias figurava o açúcar, especialidade econômica que os portugueses haviam implantado no litoral úmido do Nordeste. Os holandeses resolvem invadir o Brasil, mais especificamente as áreas produtoras de açúcar no Nordeste.

 

Os holandeses no Rio Grande do Norte

 Em 1630, os holandeses conquistaram a Capitania de Pernambuco, na época a maior área de produção de açúcar do mundo. Em 12 de junho de 1633, os holandeses invadiram o Rio Grande do Norte, tomaram o forte e dominaram a cidade de Natal, batizada de “Nova Amsterdã”.

No ano seguinte à invasão de Natal, os holandeses conquistaram as povoações onde estavam localizados os dois engenhos de açúcar mais importantes do Rio Grande do Norte, daquela época: os engenhos de Cunhaú (localizado no atual município de Canguaretama) e do Ferreiro Torto (localizado no atual município de Macaíba). Os holandeses aliaram-se aos índios na conquista do Rio Grande do Norte e com eles patrocinaram saques e verdadeiros massacres na capitania, sendo que os mais cruéis registrados pelos cronistas e historiadores, que estudam esse momento da nossa história, foram os de Cunhaú e Uruaçu, cujas populações foram martirizadas barbaramente.

Os holandeses são expulsos do Brasil, e consequentemente do Rio Grande do Norte, em 1654, depois de vários combates e de 21 anos de domínio da nossa capitania, que eles transformaram em província subordinada à Paraíba. O domínio holandês no Rio Grande do Norte limitou-se ao litoral úmido e ao agreste próximo a esse litoral, abrangendo terras que representam hoje os municípios de Natal, Macaíba, Extremoz, São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim, São José de Mipibu, Arês, Nísia Floresta, Goianinha e Canguaretama. Também fi zeram viagens pelo interior e montaram expedições para extração de sal nas várzeas e baixios do rio Piranhas-Açu, nas imediações de Macau, e nas várzeas do Apodi-Mossoró, nas imediações de Areia Branca.

 

FELIPE, José Lacerda Alves.; ROCHA, Aristotelina Pereira Barreto.; CARVALHO, Edilson Alves de. Economia Rio Grande do Norte : estudo geo-histórico e econômico.
João Pessoa: Editora Grafset, 2011.

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