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Manifestação religiosa – Candomblé

O candomblé sintetiza os cultos africanos trazidos pelos negros e o terreiro é o local onde se dá a adoração dos deuses – os orixás. Das cerimônias participam as ialorixás ou mães de santo (ou os babalorixás, os pais de santo), filhos de santo e seguidores em geral. Em Salvador e no Recôncavo (especialmente em Santo Amaro e Cachoeira), essas cerimônias são muito importantes, com instrumentos musicais e danças bem característicos e expressando suas raízes africanas. Os negros, ao chegarem ao Brasil e, por longo tempo, foram proibidos de praticar sua religião. Muitos fugiram e formaram quilombos cujas comunidades remanescentes, num total de 159 (em 2006), foram registradas em diversos municípios baianos.

Na tentativa de preservar suas tradições, deram aos seus deuses nomes cristãos, num processo lento e gradual, denominado sincretismo religioso. A seguir, alguns exemplos: Senhor do Bonfim – Oxalá; São Jorge – Oxossi; Nossa Senhora da Conceição – Ieman­já; Nossa Senhora das Candeias – Oxum; Santo Antônio – Ogum; São Jerônimo – Xangô; Santa Bárbara – Iansã e São Lázaro – Omolu.

Culinária 

Uma mistura de cores e odores trazida pelos africanos (dendê e coco), portugueses (açúcar) e índios (raízes) distingue a culinária baiana no cenário brasileiro. Acarajé, abará, caruru, moqueca, vatapá, efó, pirão, ambro­sia, baba de moça, sequilhos, doces e compo­tas de frutas tropicais, cuscuz, beiju e farinha de mandioca são apenas alguns exemplos das iguarias que são servidas em festas ou no dia a dia dos baianos. No Sertão, o predomínio é da carne de sol, da galinha caipira, da galinha ao molho pardo, do leitão assado, do bode as­sado, do meninico (bucho e vísceras) de bode ou carneiro, do sarapatel, do cortadinho de carne com arroz, do guisado (legumes) com carne, do ensopado de carneiro e do pirão, dentre outros. No vale do São Francisco, des­taca-se o consumo de peixes como o surubim, o dourado, o curimatá e a piranha, prepara­dos de diferentes formas (frito, moqueca ou ensopado), acompanhados ou não de pirão. Muitos doces são também tradicionais, usan­do-se frutas da região (acerola, caju e umbu, o mais apreciado na região).

Artesanato

O artesanato apresenta-se com grande diversidade e o Mercado Modelo, em Salvador, é a sua melhor vitrine. Lá estão à venda os tra­balhos produzidos em Salvador, no interior e mesmo em outros estados, principalmente da Região Nordeste. São peças de bordado, cerâmi­ca, pedra, cestaria, crochê, tricô, madeira, renda, tecelagem e outras, tanto sob a forma de peças utilitárias e decorativas como de brinquedos.

 

Lendas 

As lendas são transmitidas de forma oral ou escrita, através das gerações e incorpo­ram elementos da cultura regional. Muitas lendas fazem parte do imaginá­rio baiano e o rio São Francisco, por exemplo, serviu de motivação para muitas delas como a do caboclo d’água, carrancas do rio São Fran­cisco, cavalos-marinhos, nossa senhora da ra­padura, minhocão, nego-d’água, mãe-d’água, pedra do aloquê ou pedra encantada e serpen­te de fogo. Segundo a lenda, na hora em que o rio dorme, o Velho Chico não gosta de ser in­comodado pelos pescadores que permanecem em suas águas até tarde da noite. Quando isso acontece, uma voz que vem do fundo do rio avisa: “É meia-noite, todos dormem e eu tam­bém quero dormir”.

 

SILVA, Barbara-Christine Nentwig. Atlas Escolar Bahia: espaço geo-histórico e cultural.
João Pessoa: Editora Grafset, 2004.

 

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