29-de-setembro-blog

Poesia apresentada em pequenos folhetos, abordando autos, histórias e historietas contadas e cantadas. A literatura de cordel abrange ainda pequenas novelas, contos fantásticos, moralizantes ou de fundo vagamente histórico, de maneira a agradar o gosto popular. Impressos em papel jornal, apresentando na capa xilogravura em conotação com o tema. Os temas da literatura de cordel são variados e na maioria das vezes estão relacionados à divulgação de histórias tradicionais, narrativas de épocas passadas que a memória popular conservou e transmitiu. Essas narrativas enquadram-se na categoria de romances de cavalaria, amor, guerras, viagens ou conquistas marítimas e também relatos de fatos do cotidiano. Os versos que mais impressionam a imaginação

popular são sobre heróis, os romances trágicos, épicos e heroicos, os acontecimentos do dia a dia, com a presença de seres e situações mágicas, e a descrição de fatos sociais recentes que prendem a atenção do povo.

 

No Rio Grande do Norte, ainda temos alguns cordelistas em atividade, como Antônio Francisco (Mossoró), Chagas Ramalho (Macaíba), Chico Pequeno (Natal), Chico Traíra (Açu), João Gomes Sobrinho, conhecido como Xexéu (Santo Antônio), Severino Ferreira (Touros) e outros.

 

(…) Nas noites que o sono foge,

A minha mente descansa,

Debruçada sobre as páginas

Do caderno da lembrança

Recapitulando as cenas

Do meu filme de criança.

Logo na primeira cena

Vejo nosso casarão

Com quatro silos na sala

Cheios de milho e feijão

E em um quarto pegado a casa

Que pai guardava algodão

Tem cenas que eu paro a fita

Deixo a imagem congelada,

Como bem a de vovô

Numa noite enluarada,

Contando histórias pra nós

Na subida da calçada. (…)

 

Trechos do Cordel O Feiticeiro do Sal.

Antônio Francisco – Mossoró.

 

Desafio – é um encontro de dois cantadores que desenvolvem um duelo poético, em versos, apoiado numa parte do dizer comum e tradicional dessas pelejas, dependendo a outra da criatividade e do improviso. Um dos maiores poetas populares norte-rio-grandenses foi Fabião Hermenegildo Ferreira da Rocha (1848-1928), mais conhecido como Fabião das Queimadas – notável poeta popular, nascido na Fazenda “Queimadas”, atual município de Lagoa de Velhos. Era cantador, que ao invés da viola, acompanhava-se de uma rabeca. Conhecido como “poeta das vaquejadas”, deixou inúmeros romances

sobre bois e cavalos de sua região. O “Romance do boi da mão de pau” foi mencionado por Luís da Câmara Cascudo em seu livro “Vaqueiros e cantadores” e, em 1999, por ocasião dos 400 anos da cidade de Natal, o romance foi recriado por Ariano Suassuna

e por Antônio Nóbrega e gravado em CD.

 

Repente -Ao repentista é oferecido um tema a ser desenvolvido livremente, e com desenvoltura e criatividade esse passa a ser glosado seguramente. No RN, alguns grandes repentistas, com verdadeiro talento poético, ficaram na lenda como tendo vencido o desafio com o próprio diabo disfarçado.

 

Trechos de um Repente entre Fabião das Queimadas e Manoel Tavares:

 

Fabião, nós somos velhos

E velhos não valem nada;

Porque só vale quem ama,

Quem traz a alma enganada.

Ao que o outro respondeu:

A minha alma de velho

Anda agora renovada,

Que a paixão é como sono,

Chega sem ser esperada.

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