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O Maranhão é dominantemente um estado de povo mestiço, o que reproduz a situação do povo brasileiro, resultante da miscigenação entre grupos étnicos: indígenas, europeus e africanos.

O contato de brancos com índios se fez muito antes dos portugueses. Em 1612, quando os franceses oficializaram sua presença no estado, calcularam que na ilha do Maranhão existiam cerca de 12.000 índios e depois, através das viagens de reconhecimento, estimaram para todo o estado 200.000 aborígines (COELHO, 1987, p. 09).

A Amazônia Maranhense, com especialidade a área do Alto Turiaçu e adja­cências, desde tempos imemoriais era habitada por vários grupos indígenas. Os indígenas que primeiro habitaram essa região foram os Kreje, Kren-ye ou Arapari­tiua (dos quais muito raramente são encontrados dispersos alguns remanescen­tes) e os Amanaye (que desapareceram desde o século XIX, supondo-se terem migrado para o Pará).

No sul do estado, até o final do século XIX, habitavam as áreas dos cerrados 15 tribos relativamente populosas, formadas pelos Timbira, das quais só quatro tribos alcançaram o século XX.

A escravidão imposta pelos brancos, os confrontos com os criadores de gado, latifundiários e grileiros, cujos fatos ainda hoje se repetem, a contamina­ção por doenças transmitidas pelo colonizador (sarampo, tuberculose, doenças sexualmente transmissíveis), a influência de hábitos e costumes assimilados dos portugueses (o uso da bebida alcoólica) foram, dentre muitos, os elementos que contribuíram para dizimar as tribos indígenas maranhenses.

Como herança sociocultural, ficaram as crenças religiosas, especialmente pelo culto à natureza, alguns ritmos, hábitos alimentares, como a farinha de mandioca (farinha d’água), o peixe moqueado, o uso do tucupi e do urucum na alimentação, assim como um acervo muito grande de palavras usadas para designar nome de lugares (Apicum-Açu, Cururupu, Itapecuru-Mirim, Icatu etc.); nome de rios (Munim, Pindaré, Mearim, Itaueiras); de pessoas (Itabajara, Iracema, Iaraci, Arapoã) e outros.

Embora o colonizador não tenha conseguido manter o indígena em cativeiro, muito da sua cultura se perdeu, o que não aconteceu com o africano que, vivendo num sistema mais gregário, pôde conservar grande parte de sua herança cultural.

 

 

FEITOSA, Antonio Cordeiro; TROVÃO, José Ribamar. Atlas Escolar do Maranhão. João Pessoa: Editora GRAFSET, 2006.

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