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Como quase todo o Brasil, o Ceará tem uma cultura mestiça, formada a partir de etnias oriundas de três continentes, branca-europeia, afro-negra e ameríndia. Se comparado aos demais estados brasileiros e nordestinos, chama a atenção uma maior contribuição ameríndia, ao lado da sempre hegemônica presença branca de origem europeia e de uma relativamente menor participação negra, na conformação étnica de sua gente e de sua cultura.

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Casa de Milagres, em Juazeiro do Norte – lugar de beatos e irmandades

Some-se a isto uma série de outros fatores, cuja enumeração faremos a seguir. Entre eles, a colonização retardada (em pelo menos cem anos) de seu território, acentuando a persistência de traços indígenas. Em seguida, a ocupação pela civilização branco-europeia, sendo feita a partir do interior em direção ao litoral. Do ponto devista geográfico, existe a ausência de zonas de transição (agreste e mata) entre sertão e litoral, determinando o largo predomínio do semiárido e diferenciando-o de outros estados nordestinos. No que se refere à economia, há os diversos ciclos, pelos quais passou sua história, notadamente o da pecuária e o do algodão, mas também o da carnaúba, o do caju, etc.

Como tipos característicos, tem-se a presença marcante do vaqueiro nos primeiros séculos da colonização determinando muitas das peculiaridades do cearense, além da presença de outros tipos como o jangadeiro, o roceiro, a rendeira, etc. Em relação ao clima, aparecem as estações que dividem o ano em um período chuvoso e outro sem chuvas. Além disso, há o fenômeno da seca que com o adensamento da população transformou-se em catástrofe social, desorganizando periodicamente a sociedade com a intensificação do êxodo rural. Ainda do ponto de vista geográfico, surgem as diversidades sub-regionais, incluindo sertão, litoral, serras e vales úmidos, e a existência do Cariri, zona de exceção dentro do semiárido, verdadeiro caldeirão de culturas. No que diz respeito à atividade produtiva, nota-se a ausência de uma tradição agroindustrial

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Vaqueiros – figuras dominantes na paisagem sertaneja. Memorial da Cultura Cearense

marcante compensada por uma vocação comercial e artesanal notável. Quanto à vida social, tem-se a urbanização recente e o crescimento agigantado de Fortaleza, a modernização acelerada da sociedade coexistindo com formas arcaicas de cultura e o aguçamento das desigualdades e dos contrastes sociais. Vale acrescentar a presença dos santuários de Juazeiro do Norte e de Canindé, os dois maiores centros do catolicismo popular no Nordeste. E ainda, o registro do nomadismo, o despojamento, o desapego à terra e ao patrimônio, a inventividade e o espírito aventureiro, a hospitalidade, o cosmopolitismo, a molecagem e outras tendências psicossociais de sua gente. Enfim, há estes e uma série de outros traços e fenômenos com implicações socioculturais, que somados ajudaram a tecer o amálgama cultural que informa a originalidade do Ceará.

 

SILVA, José Bonzacchiello da., Cavalcante, Tércia Correia. Altas Escolar, Ceará: espaço geo-histórico e cultural. João Pessoa: Grafset, 2004.

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